
Na frente do espelho
Uma das poucas coisas que eu tenho certeza nessa vida, é que tudo que eu aprendi até agora não quer dizer absolutamente nada. Mas confesso que me esqueço disso mais vezes do que gostaria.
Mais uma vez fui colocado diante do espelho, e confirmei novamente um fato que enfatizo com freqüência. Se tornar a pessoa que queremos ser e perceber a sutil, e ao mesmo tempo contrastante diferença, entre o que somos, o que achamos que somos, e o que aparentamos ser, é bem mais difícil do que parece.
Reconheço que tenho muitas limitações, e tenho que admitir que ser colocado diante do espelho por uma pessoa com bem mais limitações que você, é bem desconfortável, e o mais triste de tudo, é que não deveria ser. Acontece que muitas vezes nós mentimos para nós mesmos sobre os nossos princípios, até que em algum momento somos imprensados contra a parede, e forçados a ver o que estamos sendo de verdade, que tipo de princípios está por trás de cada atitude. Tenho que reconhecer que momentos como esses não são nada fáceis, exige a quebra de vários paradigmas e redes neurais de longo prazo.
Mas a partir daí temos apenas duas escolhas: Ou nos encaramos, quebramos os velhos paradigmas, deixamos para trás as ancoras do passado, que só servem para nos atrasar, tornando a nossa escalada mais dura, cansativa, e transformamos o nosso presente. Ou fugimos de nós mesmos, nos escondendo covardemente atrás de desculpas que inventamos para justificar o que for mais conveniente no momento.
Freqüentemente somos muito tolerantes com nós mesmos, não temos coragem de encarar os nossos verdadeiros princípios, que muitas vezes ficam dentro de nós, no nosso subconsciente, conduzindo pequenas atitudes diárias, sem que nem percebamos que existam e façam parte do nosso verdadeiro ser. Um dos nossos maiores desafios é aproximar mais a distancia do abismo que existe entre o nosso discurso e as nossas atitudes, e encarar os nossos verdadeiros princípios.
O que conduz as minhas atitudes diárias? Baseado em que eu faço escolhas e tomo decisões? E principalmente, o que me dá o direito de julgar uma pessoa melhor do que outra? Ou me julgar como sendo melhor do que outra pessoa? Assim como todas as outras pessoas, tudo que eu sou é produto do meu passado, O que eu sou hoje nada mais é do que o resultado das minhas experiências.
Nossas experiências influenciam naquilo que nos tornamos, mas não podemos deixar nosso passado nos podar. Diferenças, limitações, e personalidades ou visões diferentes – sejam elas intelectuais, sociais, ou culturais - não torna uma pessoa mais importante do que outra. Apenas diferentes. Como diria Drummond “Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar”.
Temos que aprender que somos seres humanos em constante transformação, não existe o eu antigo ou o eu novo. Sempre estamos em transformação. Como disse o grande Sócrates: “Tudo que sei é que nada sei”. Pena que tão poucas pessoas consigam entender de verdade o que querem dizer essas palavras.
Tania

















Poux





